Ser humano é como ser uma hospedaria






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Upanishads - Two states for man

There are two states for man - the state in this world and the state in the next; there is also a third state, the state intermediate between these two, which can be likened to dream. While in the intermediate state, a man experiences both the other states, that in this world and that in the next; and the manner thereof is as follows:

When he dies, he lives only in the subtle body, on which are left the impressions of his past deeds, and of these impressions he is aware, illumined as they are by the light of the Atman. The pure light of the Atman affords him light. Thus it is that in the intermediate state he experiences the first state, or that of life in the world.

Again, while in the intermediate state, he foresees both the evils and the blessings that will yet come to him, as these are determined by his conduct, good and bad, upon the earth, and by the character in which this conduct has resulted. Thus, it is that in the intermediate state he experiences the second state, or that of life in the world to come.

  Os Upanishades - O Deus Dourado

O Deus dourado, o Self, o Cisne imortal
Deixa o pequeno ninho do corpo, e vai aonde quiser.
Ele passa pelo reino dos sonhos;
assume formas incontáveis;
delicia-se no sexo;
come, bebe, ri com seus amigos;
assusta-se com cenas de terror paralisante.
Mas Ele não se apega a nada que vê,
e após ter vagado nos reinos do sonho e da vigília,
de ter provado prazeres e experimentado o bem e o mal,
Ele retorna ao estado de graça onde começou.
Assim como um peixe nada em direção a uma margem
do rio e depois à outra,
o Self alterna-se entre o sonho e a vigília.
Assim como uma águia, cansado do longo vôo,
dobra suas asas deslizando para seu ninho,
O Self corre para o reino do sono sem sonhos,
livre de desejos, medo, dor.
Como um homem, em união sexual com sua amada
Que não percebe nada fora ou dentro,
Assim o homem em união com o Self
não sabe nada, não quer nada,
encontrou a realização do seu coração
e encontra-se livre de dor.
Pai desaparece, mãe desaparece,
deuses e bíblias desaparecem,
o ladrão desaparece, o assassino desaparece,
o bem e o mal desaparecem
ele passou para além da tristeza.

  Upanishads - The Golden God

The Golden God, the Self, the immortal Swan
leaves the small nest of the body, goes where He wants.
He moves through the realm of dreams; makes numberless forms;
Delights in sex; eats, drinks, laughs with His friends;
frightens Himself with scenes of heart chilling terror.
But He is not attached to anything that He sees;
and after He has wandered in the realms of dream and awakeness,
Has tasted pleasures and experienced good and evil,
He returns to the blissful state from which He began.
As a fish swims forward to one riverbank then the other,
Self alternates between awakeness and dreaming.
As an eagle, weary from long flight, folds its wings,
Gliding down to its nest, Self hurries to the realm
of dreamless sleep free of desires, fear, and pain.
As a man in sexual union with his beloved
is unaware of anything outside or inside,
so a man in union with Self knows nothing, wants nothing, has found his heart’s fulfillment and is free of sorrow.
Father disappears, mother disappears, gods
and scriptures disappear, thief disappears, murderer, rich man, beggar, world disappears,
good and evil disappear; he has passed beyond sorrow.

Lawrence - Nós somos transmissores

Quando vivemos, somos transmissores da vida
E quando falhamos em transmitir a vida, a vida falha de correr através de nós.

Isso é parte do mistério do sexo, é um fluxo que segue em frente.
As pessoas sem sexo não transmitem nada.

E se, enquanto trabalhamos, podemos transmitir vida ao nosso trabalho,
vida e ainda mais vida, corre dentro de nós para compensar, para estar pronto
e nos ondulamos com vida através dos dias.

Mesmo que seja uma mulher fazendo uma torta de maçã, ou um homem um banco,
se a vida entrar na torta, a torta é boa, o banco é bom.
A mulher é contente com a vida correndo dentro de si, o homem é contente.

Dá e lhe será dado
ainda é a verdade sobre a vida.
Mas dar a vida não é tão fácil.
Não significa distribuí-la a qualquer tolo,
ou permitir que os mortos vivos te comam
Significa aquecer a qualidade de vida onde não havia,
mesmo que seja apenas na brancura de um lenço de bolso bem lavado.

Lawrence - We Are Transmitters

As we live, we are transmitters of life.
And when we fail to transmit life, life fails to flow through us.

That is part of the mystery of sex, it is a flow onwards.
Sexless people transmit nothing.

And if, as we work, we can transmit life into our work,
Life, still more life, rushes into us to compensate, to be ready
And we ripple with life through the days.

Even if it is a woman making an apple dumpling, or a man a stool,
If life goes into the pudding, good is the pudding
Good is the stool,
Content is the woman, with fresh life rippling in to her, content is the man.

Give, and it shall be given unto you
Is still the truth about life.
But giving life is not so easy.
It doesn’t mean handing it out to some mean fool, or letting the living dead eat you up.
It means kindling the life-quality where it was not, even if it’s only in the whiteness of a washed pocket-handkerchief.

Lawrence - Dia de Todos os Santos

Tome cuidado, então, e seja suave em relação à morte. Pois é difícil morrer, é difícil passar pela porta,
mesmo quando ela se abre.

E os pobres mortos, após terem deixado a
cidade murada e prateada do corpo agora irremediável aonde deverão ir, Oh, aonde deverão ir?

Eles hesitam na sombra da terra.
A longa sombra cônica da terra está repleta de almas
que não conseguem achar a travessia pelo mar da mudança.

Seja gentil, Oh seja gentil com seus mortos
e dê-lhes um pequeno encorajamento
e ajude-os a construir seu pequeno barco da morte.

Pois a alma tem uma longa, longa jornada após a morte ao doce lar do puro esquecimento.
Cada uma precisa de um pequeno barco, um pequeno barco e uma provisão apropriada de alimento para a mais longa jornada.

Oh, de seu coração
Provê para seus mortos uma vez mais, equipe-os
como marinheiros que partem, amorosamente.

Lawrence - All Soul’s Day

Be careful, then and be gentle about death.
For it is hard to die, it is difficult to go through
The door, even when it opens.

And the poor dead, when they have left the walled
And silvery city of the now hopeless body
Where are they to go, Oh where are they to go?

They linger in the shadow of the earth.
The earth’s long conical shadow is full of souls
That cannot find the way across the sea of change.

Be kind, Oh be kind to your dead
And give them a little encouragement
And help them to build their little ship of death.

For the soul has a long, long journey after death
To the sweet home of pure oblivion
Each needs a little ship, a little ship
And the proper store of meal for the longest journey

Oh, from out of your heart
Provide for your dead once more, equip them
Like departing mariners, lovingly

Lawrence - Cura

Não sou um mecanismo, um conjunto de peças.
E não é porque o mecanismo está funcionando mal que estou doente.

Estou doente por causa das feridas da alma, no profundo eu emocional
e as feridas da alma precisam de muito, muito tempo;
só o tempo pode ajudar,
e a paciência, e um certo arrependimento
difícil, longo, um difícil arrependimento, percepção do erro da vida,
e a nossa própria libertação
da interminável repetição do erro,
que a humanidade em geral prefere santificar

Lawrence - Healing

I am not a mechanism, an assembly of various sections.
And it is not because the mechanism is working wrongly, that I am ill.

I am ill because of wounds to the soul, to the deep emotional self
and the wounds to the soul take a long, long time,
only time can help
and patience, and a certain difficult repentance
long, difficult repentance, realization of life’s mistake,
and the freeing oneself
from the endless repetition of the mistake
which mankind at large has chosen to sanctify.

Laing - O Abatedouro

Quando nossos mundos pessoais são redescobertos, permitindo a nós mesmos restituirmo-nos, nós, primeiramente, descobrimos uma confusão. Corpos quase mortos, genitais dissociados do coração, coração apartado da cabeça, cabeças dissociadas dos genitais, sem a unidade interior, com apenas senso de continuidade suficiente para segurar a identidade, numa idolatria completa. Dilacerados, corpo, mente e espírito, pelas contradições interiores, levados em direções diferentes; o homem, ou a mulher separados de suas próprias mentes, separados igualmente de seus próprios corpos, criaturas metade loucas, em um mundo louco.

Laing - The Slaughterhouse

When our personal worlds are rediscovered and allowed to reconstitute themselves we first discover a shambles. Bodies half-dead; genitals dissociated from heart; heart severed from head; heads dissociated from genitals. Without inner unity, with just enough sense of continuity to clutch at identity, the current idolatry. Torn, body, mind and spirit by inner contradictions; pulled in different directions.
Man cut off from his own mind, cut off equally from his own body
a half-crazed creature in a mad world.

Alan McGlashan - A Paisagem selvagem e magnífica

O que se procura... não é uma nova e brilhante forma de consciência que domine a mente dos homens e revolucione o mundo, mas uma mudança interior quase imperceptível – uma suspensão voluntária de julgamentos convencionais, uma percepção equilibrada, uma quietude, onde vozes há muito abafadas, que falam a linguagem da alma, possam ser ouvidas de novo. Trata-se de um segredo calmo.

Todavia, mão se deixe enganar por isso, pois ele é também um segredo terrível. A vida íntima da mente também tem seus pesadelos, assim como seus sonhos dourados e fantasias caprichosas. Tornar-se puramente receptivo, criar um silêncio interior, é abrir uma porta perigosa, que dá para um mundo de onde os corações fracos fariam bem em se manter afastados. Agir assim é iniciar uma jornada solitária cujo fim ainda é incerto.

Alan McGlashan - The Savage and Beautiful Country

What is sought is not some flamboyant new form of consciousness that will seize men’s minds and revolutionize the world, but an almost imperceptible inner change—a willed suspension of conventional judgments, a poised awareness, a stillness, in which long smothered voices that speak the language of the soul can bed heard again. it is a quiet secret.

But do not be misled by this. For it is also a terrible secret. The inner life of the mind has its nightmares, as well as its golden dreams and wayward fancies. To become purely receptive, to create and inner silence, is to unlock a dangerous door, opening upon a world from which faint hearts would wisely keep away. It is to set pout on a solitary journey who end is still unsure.

Thich Nhat Hanh - Por favor, me chame

pelos meus verdadeiros nomes

Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, Não diga que amanhã partirei porque ainda hoje estou chegando.

Olhe profundamente; eu chego a cada segundo para ser o botão no ramo de primavera, para ser o pequeno pássaro, de frágeis asas, aprendendo a cantar em seu novo ninho, para ser a lagarta no coração da flor, para ser a jóia escondendo-se numa pedra. Eu sempre chego para rir e chorar, para ter medo e esperança, o ritmo de meu coração é o nascimento e morte de tudo o que está vivo.

Eu sou a mosca d’água metamorfoseando-se
na superfície do rio, e sou o pássaro, que, chegada a primavera, surge em tempo para engolir a mosca d’água.

Eu sou o sapo nadando alegremente na água clara do poço, e sou também a cobra cascavel que, aproximando-se em silêncio, engole o sapo.

Eu sou a criança de Uganda, toda pele e osso,
minhas pernas finas como palitos de bambu,
e sou o negociante, vendendo armas mortíferas,
instrumentos de fogo a Uganda.

Eu sou a menina de 12 anos, refugiada no pequeno barco, que se atira no oceano depois de
ser violentada pelo pirata do mar, e eu sou o pirata, meu coração ainda incapaz de enxergar e amar.

Eu sou um membro do Politburo com muitos poderes nas mãos, e sou o homem que tem que pagar sua “dívida de sangue” a seu povo, morrendo lentamente num campo de trabalho forçado.

Minha alegria é como primavera, que tão calorosa faz flores desabrocharem em todos os campos da vida. Minha dor é como um rio de lágrimas, tão cheio que inunda até à borda os quatro oceanos.

Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, de tal forma que eu possa ouvir todos os meus prantos e risos de uma só vez, de tal forma que eu veja minha alegria e minha dor
como sendo uma só.

Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, de tal forma que eu possa acordar, e assim a porta de meu coração seja aberta, a porta da compaixão.

Thich Nhat Hanh - Please call me by my

true names

Please call me by my true names, Do not say that I’ll depart tomorrow Because even today I still arrive.

Look deeply: I arrive in every second
To be a bud on a spring branch, to be a tiny bird, with wings still fragile, learning to sing in my new nest, to be a caterpillar in the heart of flower, to be a jewel hiding itself in a stone.
I still arrive, in order to laugh and to cry,
In order to fear and to hope,
The rhythm of my heart is the birth and
Death of all that are alive.

I am the mayfly metamorphosing on the
Surface of the river, and I am the bird which, when spring comes, arrives in time to eat the mayfly.

I am the frog swimming happily in the
Clear water of a pond, and I am also the grass-snake who, approaching in silence,
Feeds itself on the frog.

I am the child in Uganda, all skin and bones,
My legs as thin as bamboo sticks,
And I am the arms merchant, selling deadly
Weapons to Uganda.

I am the 12-year-old girl, refugee on a small boat, Who throws herself into the ocean after
Being raped by a sea pirate, and I am the pirate, my heart not yet capable of seeing and loving.

I am a member of a death squad, with
Plenty of power in my hands, and I am the man who has to pay his “debt of blood” to my people, dying slowly in a forced labor camp.

My joy is like spring, so warm it makes
Flowers bloom in all walks of life.
My pain is like a river of tears, so full it
Fills up the four oceans.

Please call me by my true names, so I can hear all my cries and my laughs at once, so I can see that my joy and pain are one.

Please call me by my true names, so I can wake up, and so the door of my heart can be left open, the door of compassion.
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